terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Morar na praia é bom para o idoso?



Com o passar dos anos, vou percebendo que a vida pede menos pressa e mais sentido. Aquilo que antes parecia distante começa a ganhar forma dentro do coração. Hoje, um desejo que me acompanha com delicadeza é o de morar na praia. Não qualquer praia, mas Santos, uma cidade que une o azul do mar à segurança de uma boa estrutura para quem já vive a maturidade.

Penso no mar como um companheiro silencioso. Ele acalma, escuta, acolhe. O som das ondas tem algo de oração, de descanso para a mente e para a alma. A brisa suave, o horizonte aberto e a luz natural parecem aliviar os pensamentos e trazer uma sensação de paz que não se explica, apenas se sente. Estar perto do mar me faz acreditar que o envelhecer pode ser mais leve quando estamos em contato com a natureza.

A vida na praia também convida ao movimento sem esforço. Caminhar pela orla, sentar-se para observar a vida passar, sentir o corpo despertar aos poucos, respeitando seus limites. Em Santos, tudo isso se torna possível, pois a cidade é plana, bem cuidada e acessível. É um convite diário para sair de casa, respirar fundo e continuar em movimento, mesmo que seja devagar.

Mas envelhecer bem não é só poesia, é também segurança. Para mim, é essencial saber que há hospitais, clínicas, farmácias, transporte e comércio por perto. Essa estrutura traz tranquilidade e permite viver com mais autonomia e confiança. Saber que posso contar com isso faz toda a diferença na hora de pensar em uma mudança tão importante.

Também penso muito na convivência. O idoso precisa de gente, de conversa, de troca. Precisa se sentir pertencente, visto, incluído. Uma cidade viva oferece encontros, atividades, cultura e a chance de criar novos vínculos. A solidão pesa, mas o convívio aquece o coração e fortalece a autoestima.

Morar na praia, para mim, não é uma fuga, é uma escolha consciente. É desejar que essa fase da vida seja vivida com mais calma, mais presença e mais carinho comigo mesma. Acredito que, sim, morar na praia pode ser muito bom para o idoso, desde que seja uma decisão feita com o coração e com os pés bem firmes no chão.

Talvez seja apenas isso: mudar de cenário para continuar vivendo, sentindo e escrevendo novos capítulos da vida, com o som do mar como fundo e o coração em paz.

Jandira

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Virando a Página: a Energia de um Novo Ano



Estamos chegando ao final de mais um ano. Um tempo especial, em que naturalmente somos levados a olhar para trás e lembrar do que vivemos. Houve alegrias, desafios, aprendizados, perdas e conquistas. Cada experiência deixou sua marca e ajudou a construir quem somos hoje.

A chegada de um novo ano traz consigo uma energia diferente. É como se a vida nos convidasse a virar a página do nosso livro pessoal e começar a escrever um novo capítulo. Não significa esquecer o que passou, mas sim seguir adiante com mais consciência, serenidade e sabedoria.

Esse momento é uma oportunidade de reciclagem interior. Podemos refletir sobre o que vale a pena levar conosco e o que já não faz sentido carregar. Mágoas antigas, culpas desnecessárias, medos que nos limitam… tudo isso pode ser deixado para trás. O novo ano pede espaço para sentimentos mais leves, pensamentos mais positivos e atitudes mais gentis, principalmente conosco mesmos.

Com o passar do tempo, aprendemos que recomeçar não exige grandes promessas. Às vezes, o verdadeiro reinício está nas pequenas decisões do dia a dia: cuidar melhor de si, valorizar as pessoas queridas, respeitar seus limites, agradecer mais e reclamar menos. Cada gesto simples pode transformar o cotidiano.

Na maturidade, entendemos que a vida não tem prazo final definido. Enquanto estamos aqui, há sempre uma nova página a ser escrita. O novo ano não precisa ser perfeito, mas pode ser mais consciente, mais humano e mais verdadeiro.

Que possamos entrar neste novo ciclo com o coração aberto, levando conosco tudo o que aprendemos e deixando espaço para o que ainda pode florescer. Que o próximo ano seja um tempo de paz interior, esperança renovada e fé na continuidade da vida.

Afinal, o livro da nossa história continua… e ainda há muitas páginas bonitas a serem escritas.

Jandira


Imagem: Freepik

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

A Surdez na Terceira Idade





Quando ouvir fica mais difícil

Com o passar dos anos, muitas pessoas começam a perceber que não escutam como antes. É comum ouvir frases como: “fala mais alto”, “repete, por favor” ou “acho que a televisão está baixa”. Muitas vezes, essas situações são levadas como brincadeira, mas podem ser um sinal de que algo merece atenção.

A surdez na terceira idade, também chamada de perda auditiva relacionada à idade, acontece de forma lenta e quase imperceptível.
No início, o idoso pode ter dificuldade para entender conversas em ambientes com muito barulho, acompanhar diálogos em grupo ou ouvir vozes mais finas. Por isso, nem sempre a pessoa percebe logo o problema, ou prefere negar, por medo ou vergonha.

O que muitas pessoas não sabem é que ouvir bem é fundamental para o bem-estar emocional e social. Quando a audição falha, a comunicação fica prejudicada. O idoso pode começar a se isolar, evitar encontros familiares, deixar de participar de conversas e até se sentir triste ou desanimado. Esse afastamento pode afetar a autoestima e a qualidade de vida.

É importante dizer que a perda auditiva não é sinal de incapacidade. Hoje existem exames, tratamentos e aparelhos auditivos modernos que ajudam muito a melhorar a audição e a convivência social. Procurar um médico otorrinolaringologista ou um fonoaudiólogo é um gesto de cuidado consigo mesmo.

Falar sobre a surdez na terceira idade é um ato de conscientização. Com informação, apoio da família e acompanhamento adequado, é possível continuar ouvindo histórias, risadas, palavras de carinho e participando ativamente da vida. 

Envelhecer faz parte do caminho, mas não precisamos aceitar o silêncio.

Jandira


Imagem: Freepik

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Organização e Criatividade na Terceira Idade



Como Reformar Minha Casa Renovou Meu Bem-Estar

Nos meus 85 anos, continuo descobrindo coisas que me fazem sentir viva, útil e cheia de entusiasmo. Uma delas, para minha surpresa, foi a reforma e a decoração da minha casa. Estou participando de cada escolha, de cada detalhe, e isso tem sido uma verdadeira injeção de alegria no meu dia a dia. Percebi o quanto organizar e transformar o nosso lar também transforma a gente por dentro.

Ao mexer nos cantinhos da casa, fui mexendo também em memórias, prioridades e sentimentos. Organizar armários, escolher cores, decidir onde colocar cada objeto… tudo isso virou um exercício delicioso de criatividade. Às vezes me pego pensando que, quanto mais idade temos, mais rica fica nossa imaginação, porque ela vem temperada pela experiência da vida.

Participar de todo o processo fez com que eu me sentisse ativa, independente e dona das minhas escolhas. E isso é algo muito valioso para nós, da terceira idade. Reformar ou redecorar a casa não precisa ser uma grande obra; pode começar com algo simples: separar o que não usamos mais, abrir espaço, mover móveis, mudar uma cortina. Cada pequena mudança traz um frescor para a mente.

A organização, além de prática, traz paz. Quando o ambiente fica mais leve e funcional, nosso pensamento também fica mais claro. Já a criatividade é quase uma terapia: ela nos mostra que ainda podemos inventar, mudar, renovar. E como é bom perceber que ainda existe tanta vida dentro da gente!

Sinto que minha casa está ficando mais bonita, sim, mas principalmente está ficando mais parecida comigo. E esse processo tem reforçado uma verdade importante: nunca é tarde para criar, reorganizar e reinventar nossa própria história.

Se você, assim como eu, está na terceira idade, experimente olhar para sua casa com carinho e imaginar o que gostaria de mudar. Talvez seja o momento perfeito para recomeçar pelos ambientes, e acabar recomeçando também dentro de você.

Jandira

Imagem: Freepik

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

A Importância do Contato com a Natureza



Com 85 anos de vida, aprendi que a natureza tem um jeito especial de conversar com a gente. Às vezes com o canto de um passarinho, às vezes com a sombra fresca de uma árvore, ou até com o simples balançar das folhas ao vento. É como se cada detalhe nos lembrasse que ainda há muito para sentir, viver e agradecer.

Hoje, quero falar sobre como o contato com a natureza é importante, e transformador, especialmente para nós, que já caminhamos bastante pela estrada da vida.

A natureza tem um poder de renovação que toca a alma. Quando saio ao ar livre, mesmo que seja por alguns minutos, sinto o corpo mais leve e a mente mais clara. Caminhar numa praça, colocar os pés na grama ou simplesmente olhar para o céu faz uma diferença enorme no nosso dia.

É incrível como pequenos gestos, como cuidar de uma plantinha ou abrir a janela para o sol entrar, já mudam o nosso humor.

Estudos mostram, e a experiência confirma, que o contato com a natureza traz muitos benefícios:

  • Reduz o estresse e a ansiedade
    O silêncio natural acalma, diminui a pressão interna e traz uma sensação de paz.

  • Melhora o sono
    A luz do sol ajuda o corpo a regular o relógio biológico.

  • Estimula o movimento
    Uma caminhada leve, um alongamento ao ar livre ou apenas cuidar de um jardim já mantêm o corpo ativo.

  • Aumenta a alegria e o bem-estar
    A presença de plantas, árvores e flores desperta emoções positivas e até memórias afetivas.

Estar na natureza também nos aproxima das pessoas. Parques e praças são lugares onde encontramos vizinhos, famílias, amigos… até uma conversa rápida pode iluminar o dia.

Muitos idosos se sentem sozinhos, e o ambiente ao ar livre favorece encontros simples, mas cheios de significado. A natureza aproxima, acolhe e nos lembra de que ainda fazemos parte do movimento da vida.

Uma boa notícia: não é necessário viajar nem enfrentar grandes esforços. Podemos viver essa conexão de várias maneiras:

  • Cuidar de plantas em casa

  • Sentar perto de uma janela ensolarada

  • Passear na praça do bairro

  • Observar pássaros ou borboletas

  • Cultivar uma pequena horta

  • Caminhar devagar em um parque

O importante é se permitir sentir, respirar fundo e aproveitar o que o mundo natural oferece.

A terceira idade é um período de sabedoria, introspecção e novas descobertas

A natureza nos ajuda a olhar para dentro, acalmar a alma e lembrar que a vida segue bonita, vibrante e cheia de possibilidades.

Quando estamos em contato com ela, percebemos que, assim como as árvores, também somos fortes, resistentes e capazes de florescer em qualquer estação.

Que tal você a tirar um tempinho hoje para se aproximar da natureza?  Nem que seja apenas para observar o céu por alguns minutos. Às vezes, é tudo o que o coração precisa.


Beijos

Jandira


Imagem: Freepik

terça-feira, 11 de novembro de 2025

A Força da Fé e da Espiritualidade na Maturidade da Vida



Com o passar dos anos, aprendemos que a vida é muito mais do que correr atrás do tempo. É sobre encontrar sentido, paz e harmonia interior. É nesse momento que muitas pessoas descobrem - ou redescobrem - o valor da fé e da espiritualidade.

Fé não é apenas acreditar em algo que não se vê, mas sentir dentro de si uma presença que conforta, fortalece e acalma. É a confiança silenciosa de que tudo tem um propósito, mesmo quando não compreendemos os caminhos.

A espiritualidade, por sua vez, é como uma chama suave que ilumina o coração. Não depende de religiões, templos ou doutrinas - ela habita dentro de cada um de nós. É o espaço sagrado onde encontramos a esperança, a gratidão e o amor pelo que somos e pelo que ainda podemos viver.

Na terceira idade, essa busca se torna mais profunda. Talvez porque o tempo nos ensine a olhar para dentro, a valorizar o essencial e a perceber que o verdadeiro sentido da vida não está no que acumulamos, mas no que sentimos e compartilhamos.

Ter fé é continuar acreditando na beleza dos dias, mesmo quando o corpo já pede descanso. É sorrir com o coração tranquilo, sabendo que há algo maior que nos guia e protege.

E quando essa fé floresce, a vida ganha um brilho novo - suave, sereno e cheio de significado.


Jandira


Imagem: Freepik

terça-feira, 4 de novembro de 2025

A importância do geriatra na vida do idoso



Com o passar dos anos, aprendi que cuidar da saúde é um gesto de amor por nós mesmos. Aos 85 anos, já vivi muitas experiências, conheci diferentes médicos, ouvi muitas opiniões… mas foi com o tempo que compreendi o valor de ter um geriatra acompanhando de perto a nossa caminhada. Esse profissional entende o envelhecer não como um problema, mas como uma etapa natural e preciosa da vida.

Muita gente ainda acha que o geriatra é um médico apenas para quem está doente, mas isso é um engano. Ele é o médico do idoso em todas as fases, mesmo quando estamos bem. O geriatra avalia nossa saúde de forma integral - corpo, mente e emoções - e isso faz toda diferença. Ele observa a pressão, o sono, o apetite, a memória, os medicamentos e até o nosso ânimo de viver. Cada detalhe importa, porque o envelhecimento é um processo único para cada pessoa.

Outra grande vantagem de ter um geriatra é o acompanhamento contínuo. Com consultas regulares, o médico pode perceber mudanças sutis que, às vezes, nós mesmos não notamos. Um ajuste no remédio, uma orientação sobre alimentação, uma conversa sobre o humor ou sobre o sono, tudo isso pode melhorar muito o nosso bem-estar.

O geriatra também tem um papel importante na prevenção. Ele nos ajuda a evitar quedas, controlar doenças crônicas, manter a autonomia e até a clareza mental. E o mais bonito é que ele nos ouve com paciência, respeitando o nosso ritmo e valorizando nossa história.

Ter um geriatra é, de certa forma, ter um amigo de confiança, alguém que entende as transformações do corpo e do coração com empatia e sabedoria. Ele nos incentiva a viver com mais leveza e segurança, mostrando que envelhecer pode ser, sim, uma fase de descobertas e de alegrias.

Por isso, se você ainda não tem um geriatra, pense com carinho nessa possibilidade. Nunca é tarde para começar a cuidar melhor de si mesmo. A saúde é um tesouro que devemos proteger, e ter um médico que caminha ao nosso lado faz toda a diferença.

Cuidar-se é um gesto de amor, e envelhecer com saúde é um privilégio que todos nós merecemos.


Jandira Eunice


Imagem: Freepik