Com o passar dos anos, vou percebendo que a vida pede menos pressa e mais sentido. Aquilo que antes parecia distante começa a ganhar forma dentro do coração. Hoje, um desejo que me acompanha com delicadeza é o de morar na praia. Não qualquer praia, mas Santos, uma cidade que une o azul do mar à segurança de uma boa estrutura para quem já vive a maturidade.
Penso no mar como um companheiro silencioso. Ele acalma, escuta, acolhe. O som das ondas tem algo de oração, de descanso para a mente e para a alma. A brisa suave, o horizonte aberto e a luz natural parecem aliviar os pensamentos e trazer uma sensação de paz que não se explica, apenas se sente. Estar perto do mar me faz acreditar que o envelhecer pode ser mais leve quando estamos em contato com a natureza.
A vida na praia também convida ao movimento sem esforço. Caminhar pela orla, sentar-se para observar a vida passar, sentir o corpo despertar aos poucos, respeitando seus limites. Em Santos, tudo isso se torna possível, pois a cidade é plana, bem cuidada e acessível. É um convite diário para sair de casa, respirar fundo e continuar em movimento, mesmo que seja devagar.
Mas envelhecer bem não é só poesia, é também segurança. Para mim, é essencial saber que há hospitais, clínicas, farmácias, transporte e comércio por perto. Essa estrutura traz tranquilidade e permite viver com mais autonomia e confiança. Saber que posso contar com isso faz toda a diferença na hora de pensar em uma mudança tão importante.
Também penso muito na convivência. O idoso precisa de gente, de conversa, de troca. Precisa se sentir pertencente, visto, incluído. Uma cidade viva oferece encontros, atividades, cultura e a chance de criar novos vínculos. A solidão pesa, mas o convívio aquece o coração e fortalece a autoestima.
Morar na praia, para mim, não é uma fuga, é uma escolha consciente. É desejar que essa fase da vida seja vivida com mais calma, mais presença e mais carinho comigo mesma. Acredito que, sim, morar na praia pode ser muito bom para o idoso, desde que seja uma decisão feita com o coração e com os pés bem firmes no chão.
Talvez seja apenas isso: mudar de cenário para continuar vivendo, sentindo e escrevendo novos capítulos da vida, com o som do mar como fundo e o coração em paz.
Jandira






