sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O medo da opinião dos outros



Quando foi que deixamos de fazer certas coisas por medo do que os outros vão pensar?

Você já deixou de fazer alguma coisa de que gostava porque ficou imaginando o que as outras pessoas diriam?

Talvez tenha desistido de usar uma roupa de que gostava, de aprender algo novo, de viajar, de dançar, de expressar uma opinião ou até de realizar um sonho porque alguém poderia achar estranho.

E eu me pergunto: em que momento começamos a dar tanta importância à opinião dos outros que, às vezes, esquecemos de ouvir a nossa própria vontade?

Desde pequenas, aprendemos que precisamos nos comportar de determinada maneira, agradar às pessoas e evitar críticas. É natural querer ser aceita e querida. Afinal, todos nós gostamos de receber carinho e reconhecimento.

O problema começa quando o medo de desagradar passa a decidir por nós.

Deixamos de fazer uma coisa porque alguém pode rir. Não experimentamos outra porque talvez nos julguem. Escondemos nossas vontades para não parecermos diferentes.

E, sem perceber, vamos diminuindo nossos próprios espaços para caber nas expectativas alheias.

Isso também acontece quando envelhecemos. Às vezes, parece que existe uma maneira certa de uma pessoa mais velha se vestir, se comportar, se divertir ou viver. Como se, depois de determinada idade, algumas vontades precisassem ser abandonadas.

Mas quem foi que estabeleceu essas regras?

Não existe uma idade em que deixamos de ter o direito de aprender, mudar de ideia, conhecer lugares, fazer amizades, cuidar da aparência ou experimentar algo novo.

Se uma mulher de 80 anos deseja aprender um idioma, por que não? Se quer se arrumar para sair, usar uma roupa bonita, viajar com uma amiga ou começar um trabalho manual, por que deveria sentir vergonha?

A idade traz experiências, mas não precisa trazer uma lista de proibições.

É claro que precisamos ouvir conselhos, respeitar as pessoas e reconhecer que nossas escolhas têm consequências. Nem toda crítica é injusta, e às vezes a opinião de alguém pode nos ajudar a enxergar algo que não percebemos.

Mas existe uma diferença entre escutar os outros e entregar a eles o poder de decidir nossa vida.

Podemos ouvir uma opinião com carinho e, ainda assim, escolher outro caminho.

Também precisamos lembrar que nem todas as pessoas vão compreender nossas escolhas. Algumas podem estranhar nossas atitudes, outras podem discordar e haverá quem faça comentários sem conhecer nossos motivos.

Não temos como controlar o pensamento de todo mundo. E tentar fazer isso é uma tarefa cansativa, porque sempre haverá alguém insatisfeito.

Talvez a liberdade comece quando compreendemos que não precisamos da aprovação de todos para viver de maneira digna e feliz.

E se, em vez de perguntar “O que vão pensar de mim?”, começássemos a perguntar “Isso me faz bem? É importante para mim? Estou respeitando meus valores e as outras pessoas?”.

Essas perguntas podem nos ajudar a tomar decisões com mais serenidade.

Não precisamos provar nada a ninguém. Tampouco precisamos fazer tudo o que temos vontade sem pensar. Precisamos, isso sim, encontrar coragem para fazer escolhas conscientes, sem permitir que o medo da crítica nos impeça de viver.

A vida passa depressa. Quando olhamos para trás, talvez algumas das nossas maiores tristezas não sejam apenas as coisas que fizemos, mas também aquelas que deixamos de fazer por medo.

Por isso, gostaria de deixar uma reflexão para minhas amigas e leitoras: será que ainda estamos esperando a aprovação de alguém para fazer algo que desejamos há muito tempo?

Talvez seja hora de dar o primeiro passo. Pode ser uma coisa simples: matricular-se em um curso, convidar uma amiga para passear, usar aquela roupa guardada no armário ou começar uma atividade que sempre despertou nossa curiosidade.

Não precisamos mudar tudo de uma vez. Às vezes, basta uma pequena atitude para percebermos que ainda temos liberdade para escolher nossos caminhos.

Afinal, viver não é passar a vida inteira tentando corresponder às expectativas dos outros. É também ter coragem de ser quem somos, respeitando nossa história, nossos valores e aquilo que faz nosso coração sorrir.

Jandira


Imagem: Magnific


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A vida que acontece enquanto fazemos planos



Às vezes, passamos tanto tempo pensando no amanhã que nos esquecemos de olhar com carinho para o dia de hoje.

Fazemos planos, sonhamos com viagens, esperamos uma visita especial, desejamos realizar alguma coisa que ficou para depois. E tudo isso é muito bom. Ter sonhos nos dá entusiasmo e nos ajuda a olhar para o futuro com esperança.

Mas, enquanto esperamos que certas coisas aconteçam, a vida está acontecendo diante dos nossos olhos.

Ela acontece naquele café tomado sem pressa, numa conversa gostosa com uma amiga, no telefonema inesperado de alguém querido, no almoço em família ou até mesmo no prazer de cuidar das nossas plantas e observar os pássaros pela janela.

São momentos simples, que muitas vezes passam despercebidos porque estamos pensando no que ainda falta fazer ou viver.

Com o passar dos anos, começo a compreender cada vez mais o valor dessas pequenas alegrias. Não precisamos estar viajando, comemorando uma data especial ou realizando um grande sonho para sentir que a vida vale a pena. Muitas vezes, a felicidade está justamente naquilo que faz parte da nossa rotina.

Isso não significa abandonar nossos projetos ou deixar de sonhar. Pelo contrário! Devemos continuar fazendo planos, aprendendo coisas novas e encontrando motivos para sair de casa, conhecer lugares e viver experiências diferentes.

Mas também precisamos aprender a não adiar toda a nossa felicidade para quando alguma coisa acontecer.

Quantas vezes pensamos: “Quando eu tiver tempo, farei isso”, “Quando chegar aquele dia, ficarei feliz” ou “Quando realizar esse sonho, poderei aproveitar melhor a vida”?

E, enquanto esperamos, os dias passam.

A verdade é que nem tudo acontece como planejamos. Às vezes, precisamos mudar nossos caminhos, adiar um desejo ou aceitar que certas coisas não dependem somente da nossa vontade. A vida tem suas surpresas, e nem sempre podemos escolher o que virá pela frente.

Mas podemos escolher olhar com mais atenção para aquilo que temos hoje.

Podemos telefonar para uma amiga, convidar alguém para tomar um café, preparar uma mesa bonita, ouvir uma música de que gostamos ou simplesmente agradecer por mais um dia.

São gestos pequenos, mas capazes de tornar a vida mais gostosa e cheia de significado.

E existe uma coisa que considero muito importante: nunca devemos acreditar que já passou o tempo de fazer planos. Enquanto houver vontade, curiosidade e disposição, sempre poderá existir algo novo para descobrir. Um sonho não precisa ser grandioso para ter valor.

Por isso, quero continuar sonhando, fazendo planos e imaginando as coisas bonitas que ainda desejo viver. Mas quero também aproveitar o caminho, sem esperar que tudo aconteça para me permitir ser feliz.

Afinal, o futuro é uma promessa, mas o presente é a vida que temos nas mãos.

Não deixe para ser feliz somente quando seus planos se realizarem. Aproveite o dia de hoje, valorize quem está ao seu lado e descubra a beleza das pequenas coisas.

Porque, enquanto fazemos planos para o futuro, a vida está acontecendo. E seria uma pena deixá-la passar sem perceber.


Jandira

Imagem: Magnific

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O que a menina que eu fui pensaria da mulher que me tornei?


Às vezes, gosto de imaginar como seria encontrar a menina que fui muitos anos atrás.

Aquela menina que ainda tinha uma vida inteira pela frente, tantos caminhos para percorrer e tantas histórias que nem imaginava que um dia viveria.

Se eu pudesse me sentar ao lado dela, olhar em seus olhos e contar tudo o que aconteceu, será que ela ficaria surpresa com a mulher que me tornei?

Talvez quisesse saber se fui feliz, se realizei meus sonhos, se encontrei pessoas especiais pelo caminho e se consegui superar as dificuldades que a vida trouxe.

Eu lhe contaria que a vida nem sempre foi fácil, mas que cada etapa me ensinou alguma coisa. Que amei, cuidei da minha família, vivi alegrias, enfrentei despedidas e aprendi que algumas coisas só compreendemos verdadeiramente quando o tempo passa.

Contaria também que me tornei mãe, que tive a alegria de acompanhar o crescimento dos meus filhos e que a vida me presenteou com netos maravilhosos. Que existem momentos simples que se transformam em lembranças preciosas e que receber a família em casa continua sendo uma das minhas grandes alegrias.

Diria a ela que, mesmo depois de tantos anos, continuo tendo curiosidade de aprender, vontade de passear, prazer em cuidar da minha casa, fazer meus trabalhos manuais e encontrar minhas amigas.

Aos 86 anos, continuo descobrindo coisas novas. E isso talvez seja uma das surpresas mais bonitas que eu poderia contar àquela menina.

Mas também lhe falaria sobre as saudades, sobre as pessoas queridas que deixaram marcas em minha história e sobre como aprendi a valorizar cada encontro, cada abraço e cada demonstração de carinho.

Talvez ela me perguntasse se consegui realizar todos os meus sonhos.

Eu precisaria ser sincera: nem todos. Alguns ficaram pelo caminho, outros mudaram com o tempo e alguns continuam vivos dentro de mim.

Ainda tenho lugares que gostaria de conhecer e experiências que desejo viver. Entre esses sonhos, está conhecer a terra portuguesa onde meus pais nasceram e viveram antes de virem para o Brasil. Seria uma maneira de me aproximar um pouco mais das minhas raízes e da história que começou antes mesmo de eu nascer.

E então eu diria àquela menina que envelhecer não significa deixar de sonhar.

Significa, muitas vezes, aprender a sonhar de outras maneiras.

Hoje compreendo que não precisamos ter uma vida perfeita para reconhecer a beleza da nossa caminhada. Somos feitas de escolhas, encontros, despedidas, recomeços e aprendizados. E cada fase deixa alguma coisa dentro de nós.

Se pudesse dar um conselho à menina que fui, diria para ela não ter tanta pressa, aproveitar mais os momentos simples, demonstrar seu amor às pessoas queridas e não deixar para amanhã todas as palavras bonitas que podem ser ditas hoje.

Também lhe diria para ter coragem diante das mudanças, porque a vida sempre nos surpreende.

E, antes de me despedir, gostaria de abraçá-la e agradecer por tudo o que ela começou a construir, mesmo sem saber onde aquela estrada iria terminar.

Afinal, aquela menina sou eu.

E a mulher que me tornei carrega um pouco de tudo o que vivi, de todas as pessoas que amei e de tudo o que aprendi ao longo do caminho.

Hoje, olhando para trás, não vejo apenas o tempo que passou. Vejo uma história inteira.

E olho para a frente sabendo que ainda existem páginas a escrever.

Porque nunca deixamos de ser, em alguma parte do coração, a menina que um dia fomos. E talvez o maior presente que possamos oferecer a ela seja olhar para nossa própria história com carinho, gratidão e a coragem de continuar vivendo.

Jandira


Imagem: Magnific

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Quem cuida de quem sempre cuidou de todos?



Durante grande parte da vida, muitas mulheres têm uma missão silenciosa: cuidar.

Cuidamos dos filhos quando são pequenos, acompanhamos seu crescimento, nos preocupamos com seus problemas e torcemos por suas conquistas. Cuidamos da casa, ajudamos a família, acolhemos as amigas e, muitas vezes, colocamos nossas próprias necessidades em segundo plano.

Quantas vezes deixamos de descansar porque alguém precisava de nós? Quantas vezes escondemos uma preocupação para não preocupar nossos filhos? Quantas vezes dissemos “está tudo bem”, mesmo quando também gostaríamos que alguém perguntasse como estávamos de verdade?

Fazemos tudo isso porque amamos. Mas existe uma pergunta que merece ser feita: quem cuida de quem sempre cuidou de todos?

Com o passar dos anos, nossas necessidades também mudam. Podemos precisar de ajuda em algumas tarefas, de companhia em determinados momentos ou simplesmente de alguém disposto a nos ouvir sem pressa.

E não há vergonha alguma nisso.

Durante muito tempo, fomos nós que oferecemos o colo, o conselho e a palavra de conforto. Talvez agora precisemos aprender que também podemos receber tudo isso.

Às vezes, uma ligação faz diferença. Uma visita inesperada alegra o dia. Um convite para almoçar, um abraço demorado ou uma pergunta sincera: “Você está bem? Precisa de alguma coisa?”, podem nos fazer sentir acolhidas e lembradas.

É verdade que nossos filhos e netos têm suas próprias responsabilidades, seus compromissos e suas preocupações. Nem sempre conseguem estar presentes como gostaríamos. E a ausência em um determinado dia não significa, necessariamente, falta de amor.

Mas o carinho precisa encontrar maneiras de se manifestar. E todos nós, em qualquer idade, precisamos de vínculos, atenção e afeto.

Também precisamos aprender a falar sobre nossas necessidades. Não é preciso esperar que as pessoas adivinhem o que sentimos. Podemos dizer que estamos com saudade, pedir companhia para um passeio ou convidar alguém para tomar um café.

Ser forte não significa precisar de ninguém. E aceitar ajuda não diminui o nosso valor.

Aos 86 anos, penso que existe uma beleza especial em reconhecer que a vida é feita de trocas. Hoje podemos cuidar de alguém; amanhã, podemos precisar desse cuidado. E, muitas vezes, as duas coisas acontecem ao mesmo tempo.

Por isso, quero deixar uma mensagem às minhas amigas: não se esqueçam de vocês mesmas.

Continuem cuidando de quem amam, mas reservem um espaço para seus próprios desejos, suas amizades, seus passeios e suas pequenas alegrias. Permitam-se descansar. Peçam ajuda quando precisarem. Aceitem um abraço sem sentir que precisam retribuí-lo imediatamente com algum favor.

E, se vocês conhecem uma mulher que passou a vida inteira cuidando de todos, procurem saber como ela está. Talvez ela não peça nada, mas fique muito feliz ao perceber que alguém também pensou nela.

No fundo, cuidar não deveria ser uma tarefa de uma pessoa só. O carinho fica mais bonito quando circula, quando é oferecido e também recebido.

Porque quem passou a vida inteira sendo abrigo para os outros também merece encontrar um lugar onde possa descansar o coração.

E nunca devemos nos esquecer: em qualquer idade, continuamos merecendo atenção, ternura, companhia e amor.


Jandira

Imagem: Magnific

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Quando percebemos que somos importantes para alguém



Há momentos na vida em que uma coisa muito simples consegue aquecer o nosso coração.

Um telefonema inesperado, uma mensagem perguntando se estamos bem, uma amiga que diz: “Estava pensando em você”, um filho que liga para saber como passamos a noite, um neto que aparece para nos visitar.

São gestos pequenos, mas que podem dizer muito.

Eles nos fazem perceber que, em algum lugar, alguém lembrou de nós. E existe uma sensação muito bonita em saber que fazemos parte da vida de outras pessoas.

Com o passar dos anos, aprendemos a valorizar ainda mais essas demonstrações de carinho. Talvez porque entendamos que o tempo passa e que não devemos deixar para depois as palavras e os gestos que podem fazer bem a alguém.

Às vezes, não precisamos de grandes declarações. Um simples “como você está?” pode significar muito.

Também acontece de recebermos uma ligação de uma amiga que não víamos há algum tempo e pensarmos: “Que bom que ela se lembrou de mim!”

Esses momentos nos lembram de algo importante: nossa presença tem valor.

Construímos relações ao longo de toda a vida. Somos mães, avós, irmãs, amigas, vizinhas e companheiras de tantas histórias. E deixamos um pouco de nós em cada pessoa que passa pela nossa vida.

Mas existe outro lado dessa reflexão.

Se é tão bom perceber que somos importantes para alguém, também podemos fazer alguém sentir o mesmo.

Que tal telefonar hoje para uma amiga?

Que tal perguntar a alguém que mora sozinho como está?

Que tal mandar uma mensagem para aquele filho ou neto que está ocupado e dizer simplesmente: “Estou pensando em você”?

Talvez essa pessoa esteja precisando justamente de uma demonstração de carinho.

Aos 86 anos, tenho cada vez mais certeza de que os vínculos precisam ser cuidados. Não devemos apenas esperar carinho: também podemos oferecê-lo.

E talvez essa seja uma das maiores riquezas que acumulamos com o passar dos anos: pessoas que amamos e que também guardam um lugar para nós em seus corações.

No fim, não são as coisas que ficam.

São os encontros, as conversas, os abraços, as lembranças e a certeza de que, em algum momento da vida de alguém, nós fizemos diferença.

E quando percebemos isso, o coração agradece. 

Jandira


Imagem: Magnific

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Quando a casa se enche de amor




Hoje minha casa vai ficar mais alegre.

Meus netos vêm almoçar, e só de saber que eles estarão aqui já sinto uma felicidade diferente. A casa parece ganhar vida quando recebo alguém da minha família.

Não é preciso preparar uma grande festa. Às vezes, basta colocar a mesa, preparar uma comida gostosa e esperar por aqueles que amamos.

Gosto desses momentos em que a casa fica cheia de conversa, risadas e histórias. Gosto de ouvir meus netos contando suas novidades, de saber o que estão fazendo, o que aprenderam, os planos que têm.

Para mim, receber a família em casa é uma das pequenas grandes alegrias da vida.

Com o passar dos anos, aprendemos a dar mais valor a esses momentos. Talvez porque entendamos que o tempo passa depressa e que cada encontro se transforma em uma lembrança que guardaremos no coração.

Minha casa pode ter seus móveis, suas plantas, seus objetos e tudo aquilo que gosto de cuidar. Mas percebo que ela fica realmente bonita quando tem gente dentro dela.

Uma casa não é feita apenas de paredes e objetos. Ela também é feita das pessoas que entram pela porta e deixam um pouco de amor por onde passam.

E há algo muito especial em poder receber os filhos, os netos, os irmãos, os sobrinhos ou aqueles amigos que já fazem parte da nossa família do coração.

Aos 86 anos, sinto uma gratidão enorme por ainda poder viver esses momentos. Cada almoço, cada café, cada conversa e cada abraço se tornam presentes que a vida me oferece.

Hoje, quando meus netos chegarem, talvez a mesa fique um pouco mais cheia, a conversa um pouco mais barulhenta e a casa um pouco mais movimentada.

E eu vou gostar de tudo isso.

Porque quando as pessoas que amamos chegam, a casa se enche de amor.

E quando elas vão embora, ficam as lembranças, e aquela vontade gostosa de esperar pelo próximo encontro. 

Jandira


Imagem: Magnific

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A alegria de se arrumar para si mesma



Quem disse que precisamos esperar uma ocasião especial para nos sentirmos bonitas?

Durante muitos anos, talvez tenhamos nos arrumado pensando em um compromisso, uma festa, uma visita ou em agradar alguém. Mas chega um momento em que descobrimos uma coisa muito gostosa: também podemos nos arrumar simplesmente porque queremos nos sentir bem.

Colocar uma roupa que gostamos, arrumar os cabelos, passar um batom, escolher um perfume ou colocar um brinco bonito pode parecer algo pequeno, mas pode mudar o nosso humor.

E não estou falando de tentar parecer mais jovem.

Estou falando de olhar para nós mesmas com carinho, respeitando a idade que temos e valorizando a mulher que nos tornamos.

Eu gosto de cuidar da minha casa, escolher as coisas que deixam meus ambientes bonitos e também gosto de me cuidar. São pequenas atitudes que me fazem sentir bem e mostram que ainda tenho prazer em celebrar a vida.

Não precisamos esperar uma festa para usar aquela roupa bonita que está guardada no armário.

Não precisamos esperar uma visita para colocar perfume.

E não precisamos esperar que alguém nos diga que estamos bonitas.

Podemos fazer tudo isso por nós mesmas.

Aos 86 anos, aprendi que vaidade também pode ser uma forma de alegria. É acordar, olhar no espelho e pensar: “Hoje quero ficar bonita para mim.”

Talvez nossas pernas já não sejam as mesmas, nossos cabelos tenham mudado e nosso rosto carregue as marcas de muitos anos. Mas cada uma dessas marcas conta uma história.

Envelhecer não apaga nossa feminilidade, nossa elegância ou nossa vontade de nos sentirmos bonitas.

Por isso, minhas amigas, que tal hoje escolhermos uma roupa de que gostamos, passarmos um pouco de perfume e nos arrumarmos sem precisar de nenhuma ocasião especial?

A ocasião somos nós.

Porque cuidar de si mesma não é vaidade demais. É reconhecer que a nossa própria companhia também merece carinho.


Jandira


Imagem: Magnific