terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Belinha, o amor que late




 A importância de um animal de estimação na terceira idade

Durante dezesseis anos, tive ao meu lado uma cachorrinha que foi muito mais do que um animal de estimação. O nome dela era Belinha. Ela foi companhia nas manhãs silenciosas, presença nas tardes longas e conforto nos dias difíceis. Sua vida se misturou com a minha de uma forma tão natural que, muitas vezes, eu nem percebia o quanto ela me fazia bem. Só depois entendi: ter um animalzinho na terceira idade é um presente para o coração.

À medida que envelhecemos, a casa pode ficar mais silenciosa. Os filhos crescem, a rotina muda, os compromissos diminuem. É nesse momento que um cachorrinho ou um gatinho pode trazer uma nova luz para dentro do lar. Eles não substituem ninguém, mas preenchem espaços com carinho, movimento e alegria.

Um animal de estimação nos dá responsabilidade. Precisamos cuidar, alimentar, levar para passear, observar sua saúde. E essa responsabilidade é saudável. Ela nos mantém ativos, atentos, úteis. Há dias em que levantar da cama parece mais difícil, mas quando sabemos que há um serzinho esperando nosso cuidado, tudo ganha sentido.

Além disso, existe o afeto. O olhar de um cachorro, o ronronar de um gato no colo, a alegria quando chegamos em casa… são demonstrações de amor puro, sem cobranças, sem julgamentos. Esse tipo de amor fortalece nossa autoestima e acalma a alma.

Também acredito que o contato com um animal diminui a sensação de solidão. Mesmo quando estamos sozinhos em casa, não estamos realmente sós. Há uma presença viva ali, compartilhando o espaço e a rotina.

É claro que ter um animal exige condições físicas, emocionais e financeiras para cuidar bem dele. Não é decisão impulsiva. Mas, quando é possível, é uma experiência transformadora.

Hoje, guardo com carinho a memória da minha cachorrinha. Ela me ensinou sobre lealdade, paciência e amor incondicional. E tenho certeza de que, para muitas pessoas idosas, um animal de estimação pode ser exatamente isso: uma companhia fiel que faz bem para o corpo e, principalmente, para o coração.

Jandira

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Envelhecer não é se despedir, é se transformar



Durante muito tempo, eu mesma ouvi que envelhecer era sinônimo de perda. Perda do vigor, da autonomia, do espaço na sociedade. Com o passar dos anos, porém, fui compreendendo que essa visão é limitada e injusta. Envelhecer não é se despedir da vida, é atravessar um processo contínuo de transformação.

O corpo, naturalmente, muda. Ele já não responde da mesma forma e passa a exigir mais cuidado e atenção. Aprendi que isso não significa fraqueza, mas adaptação. Passei a respeitar meus limites, a ouvir os sinais do corpo e a entender que desacelerar também é uma forma de seguir em frente.

A mente também se transforma com o tempo. A experiência me trouxe mais clareza e discernimento. Hoje faço escolhas com mais consciência e menos ansiedade. Aprendi a não me envolver em conflitos desnecessários e a valorizar o que realmente acrescenta qualidade à minha vida. A maturidade ensina que nem tudo precisa de resposta e que a paz é, muitas vezes, a melhor decisão.

No aspecto emocional, percebo mudanças profundas e positivas. O coração se torna mais sensível e, ao mesmo tempo, mais seletivo. Dou mais valor às relações verdadeiras, às conversas sinceras e à presença genuína. As pequenas alegrias ganharam um significado especial, e aprendi que afeto não se mede pela quantidade, mas pela profundidade.

Com o passar dos anos, também compreendi que os sonhos não desaparecem, apenas se transformam. Alguns ficam para trás, outros surgem, e há aqueles que ganham novos sentidos. Hoje, meus desejos estão mais alinhados com o que me faz bem e com o que me traz serenidade.

Por isso, afirmo com convicção: envelhecer não é se despedir da vida. É vivê-la de uma forma diferente, com mais consciência, mais respeito por si mesma e mais verdade. A velhice não representa o fim da caminhada, mas uma etapa legítima, rica em aprendizado, transformação e crescimento interior.

Jandira


Imagem: Freepik

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Amizade que Viaja, Ri e Rejuvenesce



Viajar sozinha com uma amiga, já na terceira idade, foi uma dessas experiências que aquecem o coração e ficam guardadas na memória. Não foi apenas uma viagem. Foi descanso, foi riso solto, foi conversa sem pressa, foi cumplicidade. Foi a prova viva de como a amizade tem um poder enorme de nos fazer bem.

Nós duas aproveitamos tudo. Caminhamos, descansamos quando deu vontade, rimos muito, daquele riso que nasce fácil quando estamos com alguém que nos entende, que vive o mesmo tempo de vida, que não cobra, não apressa, não julga. Estar com uma amiga da mesma idade traz uma tranquilidade especial. O ritmo é parecido, os interesses se encontram, e o prazer de estar juntas fala mais alto do que qualquer roteiro.

Ter uma amiga ou um amigo para dividir aventuras, mesmo simples, é um presente. Não precisa ser uma grande viagem. Pode ser um passeio, um café, uma ida ao parque ou uma escapada de fim de semana. O que importa é a companhia, a troca, o sentir-se acompanhada nessa fase da vida.

Na terceira idade, a amizade ganha ainda mais valor. Ela nos encoraja, nos dá segurança, nos lembra que ainda podemos, e devemos, nos divertir. Envelhecer não é deixar de viver, é aprender novas formas de aproveitar a vida. E quando fazemos isso ao lado de alguém querido, tudo fica mais leve.

Essa viagem me mostrou, mais uma vez, que a alegria não tem idade. E que ter alguém para rir junto faz qualquer aventura valer a pena.

Jandira

imagem: Freepik

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

As marcas que o tempo não apaga



Hoje me olhei no espelho com mais atenção. Não aquela atenção apressada do dia a dia, mas um olhar demorado, quase uma conversa silenciosa comigo mesma. Vi as rugas, sim. Elas estão ali, firmes, desenhadas ao redor dos olhos, da boca, na testa. Por um instante, pensei no tempo que passou. Mas logo entendi: não foi o tempo que deixou marcas em mim, foi a vida.

Cada ruga que carrego não nasceu do acaso. Elas surgiram porque eu ri muito, ri de verdade, até a barriga doer e os olhos se fecharem sozinhos. Vieram das conversas longas, das madrugadas em que o sono foi vencido por boas histórias, confidências e risadas sinceras.

Minhas marcas também falam de amor. Do amor que chega sem pedir licença e aperta o coração, do amor que nos faz sorrir com os olhos, do amor que transforma e deixa sinais. Falam de maternidade, de cuidado, de preocupação constante, de noites mal dormidas, de orações silenciosas e de uma alegria imensa a cada pequena vitória dos filhos.

Há rugas que nasceram das lágrimas. Das despedidas, das ausências, das perdas que a gente nunca esquece. Algumas lágrimas foram de dor, outras de saudade, outras de emoção pura diante de momentos que tocaram fundo a alma. Chorar também deixa marcas - e ainda bem.

Meu rosto guarda lembranças de sonhos tentados, de projetos que deram certo e de outros que ficaram pelo caminho. Guarda viagens, lugares que me encantaram, paisagens que me emocionaram e cantinhos que ainda moram dentro de mim.

Quando olho bem, percebo que meu rosto é um livro aberto. Cada linha é um capítulo vivido, cada marca é um sentimento que me atravessou. Apagar essas marcas seria apagar quem eu sou, minha história, minhas escolhas, meus afetos.

Hoje não pergunto mais como esconder as rugas. Pergunto o que ainda quero viver. Que novas emoções quero sentir. Que novas histórias desejo escrever na pele e no coração.

Aprendi que envelhecer não é perder beleza, é ganhar profundidade. Minhas rugas não são defeitos - são lembranças. São provas de que vivi intensamente, senti de verdade e amei com coragem.

E, da próxima vez que me olhar no espelho, não vou procurar o que o tempo levou. Vou agradecer tudo o que a vida me deu.


Jandira



Imagem: Freepik

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Morar na praia é bom para o idoso?



Com o passar dos anos, vou percebendo que a vida pede menos pressa e mais sentido. Aquilo que antes parecia distante começa a ganhar forma dentro do coração. Hoje, um desejo que me acompanha com delicadeza é o de morar na praia. Não qualquer praia, mas Santos, uma cidade que une o azul do mar à segurança de uma boa estrutura para quem já vive a maturidade.

Penso no mar como um companheiro silencioso. Ele acalma, escuta, acolhe. O som das ondas tem algo de oração, de descanso para a mente e para a alma. A brisa suave, o horizonte aberto e a luz natural parecem aliviar os pensamentos e trazer uma sensação de paz que não se explica, apenas se sente. Estar perto do mar me faz acreditar que o envelhecer pode ser mais leve quando estamos em contato com a natureza.

A vida na praia também convida ao movimento sem esforço. Caminhar pela orla, sentar-se para observar a vida passar, sentir o corpo despertar aos poucos, respeitando seus limites. Em Santos, tudo isso se torna possível, pois a cidade é plana, bem cuidada e acessível. É um convite diário para sair de casa, respirar fundo e continuar em movimento, mesmo que seja devagar.

Mas envelhecer bem não é só poesia, é também segurança. Para mim, é essencial saber que há hospitais, clínicas, farmácias, transporte e comércio por perto. Essa estrutura traz tranquilidade e permite viver com mais autonomia e confiança. Saber que posso contar com isso faz toda a diferença na hora de pensar em uma mudança tão importante.

Também penso muito na convivência. O idoso precisa de gente, de conversa, de troca. Precisa se sentir pertencente, visto, incluído. Uma cidade viva oferece encontros, atividades, cultura e a chance de criar novos vínculos. A solidão pesa, mas o convívio aquece o coração e fortalece a autoestima.

Morar na praia, para mim, não é uma fuga, é uma escolha consciente. É desejar que essa fase da vida seja vivida com mais calma, mais presença e mais carinho comigo mesma. Acredito que, sim, morar na praia pode ser muito bom para o idoso, desde que seja uma decisão feita com o coração e com os pés bem firmes no chão.

Talvez seja apenas isso: mudar de cenário para continuar vivendo, sentindo e escrevendo novos capítulos da vida, com o som do mar como fundo e o coração em paz.

Jandira

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Virando a Página: a Energia de um Novo Ano



Estamos chegando ao final de mais um ano. Um tempo especial, em que naturalmente somos levados a olhar para trás e lembrar do que vivemos. Houve alegrias, desafios, aprendizados, perdas e conquistas. Cada experiência deixou sua marca e ajudou a construir quem somos hoje.

A chegada de um novo ano traz consigo uma energia diferente. É como se a vida nos convidasse a virar a página do nosso livro pessoal e começar a escrever um novo capítulo. Não significa esquecer o que passou, mas sim seguir adiante com mais consciência, serenidade e sabedoria.

Esse momento é uma oportunidade de reciclagem interior. Podemos refletir sobre o que vale a pena levar conosco e o que já não faz sentido carregar. Mágoas antigas, culpas desnecessárias, medos que nos limitam… tudo isso pode ser deixado para trás. O novo ano pede espaço para sentimentos mais leves, pensamentos mais positivos e atitudes mais gentis, principalmente conosco mesmos.

Com o passar do tempo, aprendemos que recomeçar não exige grandes promessas. Às vezes, o verdadeiro reinício está nas pequenas decisões do dia a dia: cuidar melhor de si, valorizar as pessoas queridas, respeitar seus limites, agradecer mais e reclamar menos. Cada gesto simples pode transformar o cotidiano.

Na maturidade, entendemos que a vida não tem prazo final definido. Enquanto estamos aqui, há sempre uma nova página a ser escrita. O novo ano não precisa ser perfeito, mas pode ser mais consciente, mais humano e mais verdadeiro.

Que possamos entrar neste novo ciclo com o coração aberto, levando conosco tudo o que aprendemos e deixando espaço para o que ainda pode florescer. Que o próximo ano seja um tempo de paz interior, esperança renovada e fé na continuidade da vida.

Afinal, o livro da nossa história continua… e ainda há muitas páginas bonitas a serem escritas.

Jandira


Imagem: Freepik

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

A Surdez na Terceira Idade





Quando ouvir fica mais difícil

Com o passar dos anos, muitas pessoas começam a perceber que não escutam como antes. É comum ouvir frases como: “fala mais alto”, “repete, por favor” ou “acho que a televisão está baixa”. Muitas vezes, essas situações são levadas como brincadeira, mas podem ser um sinal de que algo merece atenção.

A surdez na terceira idade, também chamada de perda auditiva relacionada à idade, acontece de forma lenta e quase imperceptível.
No início, o idoso pode ter dificuldade para entender conversas em ambientes com muito barulho, acompanhar diálogos em grupo ou ouvir vozes mais finas. Por isso, nem sempre a pessoa percebe logo o problema, ou prefere negar, por medo ou vergonha.

O que muitas pessoas não sabem é que ouvir bem é fundamental para o bem-estar emocional e social. Quando a audição falha, a comunicação fica prejudicada. O idoso pode começar a se isolar, evitar encontros familiares, deixar de participar de conversas e até se sentir triste ou desanimado. Esse afastamento pode afetar a autoestima e a qualidade de vida.

É importante dizer que a perda auditiva não é sinal de incapacidade. Hoje existem exames, tratamentos e aparelhos auditivos modernos que ajudam muito a melhorar a audição e a convivência social. Procurar um médico otorrinolaringologista ou um fonoaudiólogo é um gesto de cuidado consigo mesmo.

Falar sobre a surdez na terceira idade é um ato de conscientização. Com informação, apoio da família e acompanhamento adequado, é possível continuar ouvindo histórias, risadas, palavras de carinho e participando ativamente da vida. 

Envelhecer faz parte do caminho, mas não precisamos aceitar o silêncio.

Jandira


Imagem: Freepik