Quando foi que deixamos de fazer certas coisas por medo do que os outros vão pensar?
Você já deixou de fazer alguma coisa de que gostava porque ficou imaginando o que as outras pessoas diriam?
Talvez tenha desistido de usar uma roupa de que gostava, de aprender algo novo, de viajar, de dançar, de expressar uma opinião ou até de realizar um sonho porque alguém poderia achar estranho.
E eu me pergunto: em que momento começamos a dar tanta importância à opinião dos outros que, às vezes, esquecemos de ouvir a nossa própria vontade?
Desde pequenas, aprendemos que precisamos nos comportar de determinada maneira, agradar às pessoas e evitar críticas. É natural querer ser aceita e querida. Afinal, todos nós gostamos de receber carinho e reconhecimento.
O problema começa quando o medo de desagradar passa a decidir por nós.
Deixamos de fazer uma coisa porque alguém pode rir. Não experimentamos outra porque talvez nos julguem. Escondemos nossas vontades para não parecermos diferentes.
E, sem perceber, vamos diminuindo nossos próprios espaços para caber nas expectativas alheias.
Isso também acontece quando envelhecemos. Às vezes, parece que existe uma maneira certa de uma pessoa mais velha se vestir, se comportar, se divertir ou viver. Como se, depois de determinada idade, algumas vontades precisassem ser abandonadas.
Mas quem foi que estabeleceu essas regras?
Não existe uma idade em que deixamos de ter o direito de aprender, mudar de ideia, conhecer lugares, fazer amizades, cuidar da aparência ou experimentar algo novo.
Se uma mulher de 80 anos deseja aprender um idioma, por que não? Se quer se arrumar para sair, usar uma roupa bonita, viajar com uma amiga ou começar um trabalho manual, por que deveria sentir vergonha?
A idade traz experiências, mas não precisa trazer uma lista de proibições.
É claro que precisamos ouvir conselhos, respeitar as pessoas e reconhecer que nossas escolhas têm consequências. Nem toda crítica é injusta, e às vezes a opinião de alguém pode nos ajudar a enxergar algo que não percebemos.
Mas existe uma diferença entre escutar os outros e entregar a eles o poder de decidir nossa vida.
Podemos ouvir uma opinião com carinho e, ainda assim, escolher outro caminho.
Também precisamos lembrar que nem todas as pessoas vão compreender nossas escolhas. Algumas podem estranhar nossas atitudes, outras podem discordar e haverá quem faça comentários sem conhecer nossos motivos.
Não temos como controlar o pensamento de todo mundo. E tentar fazer isso é uma tarefa cansativa, porque sempre haverá alguém insatisfeito.
Talvez a liberdade comece quando compreendemos que não precisamos da aprovação de todos para viver de maneira digna e feliz.
E se, em vez de perguntar “O que vão pensar de mim?”, começássemos a perguntar “Isso me faz bem? É importante para mim? Estou respeitando meus valores e as outras pessoas?”.
Essas perguntas podem nos ajudar a tomar decisões com mais serenidade.
Não precisamos provar nada a ninguém. Tampouco precisamos fazer tudo o que temos vontade sem pensar. Precisamos, isso sim, encontrar coragem para fazer escolhas conscientes, sem permitir que o medo da crítica nos impeça de viver.
A vida passa depressa. Quando olhamos para trás, talvez algumas das nossas maiores tristezas não sejam apenas as coisas que fizemos, mas também aquelas que deixamos de fazer por medo.
Por isso, gostaria de deixar uma reflexão para minhas amigas e leitoras: será que ainda estamos esperando a aprovação de alguém para fazer algo que desejamos há muito tempo?
Talvez seja hora de dar o primeiro passo. Pode ser uma coisa simples: matricular-se em um curso, convidar uma amiga para passear, usar aquela roupa guardada no armário ou começar uma atividade que sempre despertou nossa curiosidade.
Não precisamos mudar tudo de uma vez. Às vezes, basta uma pequena atitude para percebermos que ainda temos liberdade para escolher nossos caminhos.
Afinal, viver não é passar a vida inteira tentando corresponder às expectativas dos outros. É também ter coragem de ser quem somos, respeitando nossa história, nossos valores e aquilo que faz nosso coração sorrir.
Jandira
Imagem: Magnific






